O NPCA, está localizado no município de Iconha, às margens da Br 101, a 88km de Vitória, no lugarejo chamado de Monte Belo. Já havia sido constituido quanto grupo e recebendo apoios há 3 anos .
Iconha vem do Tupi “I Cony ya”, significa “morada entre duas montanhas”.
Teve sua origem nas povoações de Piúma e do Vale do Orobó, fundadas pelo Pe. José de Anchieta, em 1569.
Em 1877 chegaram os primeiros imigrantes italianos, e instalaram-se nas fazendas locais.
Em 11 de Novembro de 1938, passou a ser município.
Na área rural, nas fazendas e comunidades são cultivadas árvores frutíferas para fabricação de doces caseiros e vinhos, e produtos derivados do leite como queijos e ricotas.
A paisagem circunda o Rio Iconha, com quedas d’água e cachoeiras, entre a Mata Atlântica.
A atividade principal que formam a base da economia local portanto, é agrícola no cultivo do café e banana.
Nas ultimas décadas, uma decadência neste comércio estava levando a população a um estado de miséria, que se agravou com a enchente de 19....
Em 1990, deu-se início ao movimento de agroturismo na região e em 1997, nasceu a Associação Intermunicipal de Agroturismo.
Em 2001, a comunidade instituiu um centro de artesanato, com o apoio do SEBRAE, que forneceu consultorias e treinamento para as mulheres da região.
Desta maneira, nasceram as artesãs da fibra de bananeira, e com o apoio da Prefeitura e da Casa de Cultura de Iconha, criou-se o NPCA.
Os critérios que apontaram a fibra de bananeira como matéria prima, foi a abundancia de seu cultivo na região, e a tradição da cidade conhecida como a terra da banana.
O núcleo é formado por mulheres, da região rural que encontraram no artesanato uma fonte de renda complementar.
A bananeira permite a extração de cinco variedade de fios, que diferenciam-se no tamanho, textura, forma e espessura.
Para cada fio, uma utilização.
O fio linha, que possui a aparência de linha, é utilizado na confecção de peças de crochê, laços decorativos, etiquetas.
O fio pobre, nos jogos americanos e bolsas.
O fio clássico, é utilizado na confecção das bolsas, baús.
O fio renda, tem a textura de um rendado e é utilizado em embalagens, agendas, laços.
O fio nobre, possui textura fina, dele são feitas peças no tear.
- Atingiram um grau de conhecimento suficiente a respeito dos fios, impermeabilização e habilidade no trançado, porém a massa, é muito pesada, de difícil secagem, levando de 40 dias ou mais, se o tempo estiver chuvoso
.DIAGNOSTICO
Dificuldade de relacionamento entre elas, falta de conhecimento em gestão, e nenhuma noção de administração, como por exemplo, não tinham noção da quantidade de peças que produziam mensalmente, nem do quanto haviam vendido.
O NPCA, está instalado em um casebre alugado, de apenas 2 cômodos; uma cozinha de 200X300m, com duas porta de 210X60cm, e uma janela de 80X80cm e uma sala de 280X280m, com uma porta de 210X60cm.Iluminação e ventilação deficientes. Este local, no entanto, é provisório, pois estão tentando conseguir um novo espaço junto á prefeitura municipal de Iconha.
Não possuem estufa, o que atrasa a produção em até 40 dias, ou mais, para a secagem da produção da “massa”. Constantes, tinham por hábito reunirem-se três vezes por semana, das 8 horas às 16:30 horas, horário do ultimo ônibus, e por falta de iluminação.
Período de Intervenção: : DE 19 de outubro de 2004 à 28 de dezembro de 2004, totalizando 96 horas.
Neste NPCA, o trabalho de cadastramento, iconografia, já haviam sido realizados anteriormente e nossa intervenção, foi praticamente nos produtos, otimizando a produção de alguns, interferindo esteticamente em outros e criando novos produtos.
No primeiro dia, fizemos um circulo com todas as artesãs do núcleo, onde cada uma expôs suas expectativas a respeito da oficina, e também o que gostariam que a consultoria abordasse. Foi pedido que expusessem quais as dificuldades, e relataram que a “massa” demorava muito para secar, e que muitos membros estavam saindo porque não tinham retirada, ou seja: não estavam ganhando dinheiro.
Este núcleo funciona à 3 anos, trabalham sistematicamente, e não conseguiam nem R$50,00 por mês, cada uma. Perguntamos a quantidade de peças que produziam por mês, não souberam responder, pois não anotavam, e também a quantidade de peças vendidas por mês, também não sabiam dizer.
Evidente que precisavam de uma consultoria de gestão, o que foi providenciado imediatamente, junto ao SEBRAEES.
Neste mesmo dia, percebemos o tempo que gastavam para pintarem as peças. Então, foi sugerido que colocassem o pigmento no preparo da massa, o que foi acatado pelo grupo, e ali mesmo, enquanto continuávamos com a reunião, faziam o teste.
À cada duas semanas, sobem o morro onde ficam as roças de bananeira, para tirarem o “palmito”, munidas de facões para cortarem o tronco, que condicionam em sacos, carregando-os nas costas, até o NPCA. Depois cortam em pedaços pequenos, liquidificam, espremem e agregam os outros ingredientes, para depois modelarem e colocarem para secar.
Disseram que estavam ansiosas e com muita expectativa em relação à oficina, então perguntamos se sabiam o que era design. Basicamente, era “a pessoa” que faria novos “modelos”, para elas.
Então, o restante deste dia, investiu-se num breve estudo de design, o que foi acompanhado com muito entusiasmo e interesse. Falou-se de formas, cores, função, qualidade, marketing, iconografia, identidade, misturas de materiais.
Foram passado tarefas para o dia seguinte: que pensassem no que podiam melhorar, e no que gostariam de começar a produzir.
No dia seguinte, estavam com os olhos brilhando e uma integrante disse que não dormiu à noite, e que a “palestra” de ontem deveria ser ouvida por mais pessoas. Perguntou-se: Quem? As autoridades da cidade! Naquele mesmo dia foi agendado, uma reunião, com o prefeito eleito e sua secretaria, que ao se interar do projeto se comprometeu em providenciar um espaço para a instalação do NPCA.
A questão da massa, não se resumia somente no tempo de secagem, verificou-se também, no decorrer das oficinas, a questão da dificuldade de adquirirem as matrizes, feitas com de fibra de vidro, o que gerava outra questão: a da funcionalidade, pois na falta de formas, utilizavam pratos, tigelas, travessas, os objetos então, apresentavam uma aparência de utilitário, porém sem poderem exercer suas funções, pois não podem molhar. Essas peças, então, eram meramente decorativas, porém sem exercerem essa função também.
Chegamos á conclusão de que seria mais vantajoso aprimorar a técnica do trançado das fibras e investir na produção de produtos com este material, e deixarmos a produção de massa por um tempo, devido a dificuldade técnica.
Fez-se a proposta para o grupo, porém, algumas resistências surgiram: Haviam artesãs que não gostavam de trançar, outras, duvidavam se daria certo,tinham medo de mudar.
Então, sugeriu-se melhorar esteticamente o que produziam, aumentar o tamanho, tingir a massa e deixar a pintura geométrica. Outra resistência: não entendiam porque as peças tinham que ser maiores. Assim, mostrou-se revistas de design de interiores, para terem uma idéia de seu publico alvo, como eram as dimensões das residências dos que poderiam ser os futuros clientes.
Ao observarem os ambientes, perguntaram se existia gente com casa assim, se eram só os artistas, o presidente da republica, que moravam nessas casas. Ao prestar atenção nos comentários, percebeu-se a baixa auto-estima: “somos burras”, “somos pobres”, “temos mais é que carregar saco nas costas”; este incidente norteou o próximo passo da oficina, que foi justamente trabalhar a auto estima do grupo.
No final da tarde, fizeram uma reunião entre elas, e chegaram a conclusão que deveriam ter coragem para mudar, pois durante três anos trabalharam muito e “não saíram do lugar”, nem “ganharam dinheiro”.
Desta maneira, alterações foram feitas nas peças de massa, agregando outros materiais, como o ferro e fibra de bananeira.
Pediu-se que trouxessem as peças que faziam no trançado, e que mostrassem os pontos que sabiam fazer. No dia seguinte, trouxeram bolsas, viseiras, jogo americano. Pediu-se então, que mostrassem os teares, para perceber as possibilidades.
Organizou-se em duplas, e cada dupla recebeu revistas de interiores e moda, para pesquisarem. No final, teriam de falar o que gostariam de produzir.
Um grupo, decidiu por uma linha de decoração de interiores, como luminárias, almofadas, jogos americanos, outro por acessórios femininos, assim, deu-se o início da criação de peças.
Para as artesãs que não gostavam de trançar, foram criados, porta-copos, fruteira com pé de ferro, suporte para travessas com pé de ferro, e uma linha de luminárias e arandelas, com pontos de macramé e papel da fibra de bananeira, com estrutura em ferro.
Conseguimos que uma metalúrgica doasse os protótipos, porém com a bitola que tinha no estoque.
O próximo passo, foi ensinar a técnica de pintura especial no ferro.










