Histórico de Consultorias - Machetaria de Linhares/ES

D'us te abençoe!



A vigilância ao tráfico de ouro através do Rio Doce é que deu origem ao Povoado de Coutins, onde, em 1800, foi implantado o Quartel Militar, com o mesmo nome, que fazia a proteção da navegação do rio Doce. Os índios do grupo Botocudos, nação Gês ou Tapuias, primeiros donos da terra, resistiam tenazmente a qualquer colonização branca na área e assim o fizeram, até que armas superiores às suas os dizimaram totalmente. 

A vigilância ao tráfico de ouro através do Rio Doce é que deu origem ao Povoado de Coutins, onde, em 1800, foi implantado o Quartel Militar, com o mesmo nome, que fazia a proteção da navegação do rio Doce. Os índios do grupo Botocudos, nação Gês ou Tapuias, primeiros donos da terra, resistiam tenazmente a qualquer colonização branca na área e assim o fizeram, até que armas superiores às suas os dizimaram totalmente.

O primeiro povoado foi inteiramente destruído por ataques dos índios botocudos. E em 1809, outro povoado foi levantado no mesmo lugar, recebendo o nome de Linhares, em homenagem a D. Rodrigo de Souza Coutinho, o Conde de Linhares. O povoado ficava situado num platô em forma de meia-lua, às margens do Rio Doce. No leste e no oeste do povoado ficavam situados dois quartéis militares para avisar a população de prováveis ataques dos indígenas: um quartel estava situado onde hoje é o Bairro Aviso (daí o nome). O outro, localizava-se nas proximidades de onde fica hoje o Colégio Estadual.

Em abril de 1833, em execução a uma Provisão de Paço Imperial o Povoado é elevado a condição de VILA, sendo sede do município do mesmo nome – Linhares.

Em 1930, começam a chegar em Linhares os trabalhos de abertura de uma estrada, ligando-a a Vitória, para o sul e depois, ao norte, até São Mateus. Este fato, somado ao trabalho de linharenses junto ao Governo do Estado, dá início ao desenvolvimento da cidade.

A região de Linhares, foi no passado, toda coberta pela Mata Atlântica, a qual resta apenas 8% da cobertura vegetal primitiva em todo o Estado. A grande devastação iniciou-se no século XIX, intensificando-se no século XX. No litoral, observa-se vegetação de restinga, manguezais, vegetação típica de áreas alagadiças, como a turfa. Em algumas áreas despidas de vegetação original, nota-se grandes reflorestamentos, principalmente de eucalípto.

Os pontos altos da cultura Linharense são, o folclore, a música, a literatura, o artesanato e as artes plásticas. O Folclore do Município de Linhares tem sua maior expressão em Regência e Povoação. Em Regência, está o Congo mirim Caboclo Bernardo de Dona Mariquinha e várias peças de teatros. 

Em Povoação encontra-se o Congo São Benedito, que conta com 16 instrumentos. O Congo está sempre presente nas festividades de São Brás, São Benedito, festas juninas, São Cosme e Damião, Santa Catarina e Caboclo Bernardo.

Na economia, merece destaque o complexo petrolífero de Lagoa Parda/Petrobrás, situada a 55 Km do centro de Linhares, no distrito de Regência, (recursos minerais). 

Em Regência encontra-se, escritórios, estação coletora, infra-estrutura para produção, refino e embarque e uma Unidade de Processamento de gás natural (UPGN). O GLT (gás de cozinha) é escoado em carretas para os engarrafadores. 

Do petróleo produzido no Espírito Santo 60% é processado ali, onde existe também o maior poço petrolífero do Estado. A reserva estimada de gás natural no Município de Linhares é de 1,25 bilhões de metros cúbicos.

Linhares é conhecida também como a cidade do café, do mamão do cacau e do maracujá. 

Porém, a atividade econômica mais relevante do município é a do Polo Moveleiro, o maior do Espírito Santo e o 6.º do Brasil, com 96 empresas que geram aproximadamente 8.000 empregos.

No artesanato, destacam-se basicamente duas atividades: A Marchetaria, e o Mosaico em Madeira. Porém, até esta data, abril de 2005, somente o setor de Marchetaria está organizado como Núcleo de Produção e Comercialização de Artesanato (NPCA), recebendo o apoio do SEBRAE.


O NPCA de Linhares, que trabalha a marchetaria, surgiu da iniciativa do SEBRAE, em parceria com a Prefeitura Municipal de Linhares, com o intuito de incentivar a atividade econômica com a geração de postos de trabalho e acréscimo de renda. Esta iniciativa teve como pano de fundo o desenvolvimento sustentável respeitando a fragilidade da natureza e desenvolvendo a consciência ambiental através do reaproveitamento de resíduos como lâminas de madeira do polo industrial moveleiro de Linhares, de onde se origina a matéria prima básica para a confecção das peças.

O grupo é composto por 8 artesãos, e aprenderam a técnica através de um curso, fruto da parceria entre o SESI e SENAI, há 2 anos.


A INTERVENÇÃO

Período de Intervenção: DE 19 de dezembro de 2002 a 25 março de 2005 


Fiz uma pesquisa iconografica da Região com levantamentos fotográficos de igrejas, pontes, rio doce, arvores, mas o que mais me chamou atenção foram as flores da fruticultura local. Propus que utilizassemos as flores do cafe, mamao, maracuja e cacau para identificar o nucleo, como motivos das peças.

Criei sousplat, bandejas, caixinhas com porta copos, luminarias.



CONCLUSÃO

Mesmo que nossas idéias sejam originais e inovadoras, esses novos produtos só podem ter sucesso se capturarem a alma do artesão. Essa é a diferença básica e essencial entre artesanato e indústria. Nenhum artesão jamais fará algo que não contenha um pouco dele mesmo.

O design, apesar do que muitos pensadores escreveram, não é somente para a elite da sociedade, pois vem servindo de caminho para a inclusão social. 

Ao observar o local da instalação deste espaço de trabalho, e ao conviver com essas pessoas, compreendendo seu universo, seus sentimentos, pode-se compreender seus comportamentos, e perceber de onde vem a desigualdade social. 

Este trabalho abre uma possibilidade de transformação da sociedade, pois existe uma troca de informações, saberes e valores. À medida que transformamos a nos mesmos, neste contato, as pessoas com quem compartilhamos os conhecimentos adquiridos na universidade são transformadas, permitindo-nos construir uma nova sociedade.

Assim, o design constitui-se numa entrada para a solução econômico-social do Brasil a medida que ao levar informação para o povo, está contribuindo para elevar o nível de conhecimento deste, e conseqüentemente, seu comportamento.

Com as ferramentas que o design nos oferece, pode-se mudar a realidade de 500 anos em que o Brasil só exportou matéria prima .

O design, poderá ajudar a mostrar a “cara” do Brasil, com o saber, a criatividade e a identidade do povo brasileiro, afinal não somos todas mulatas, e não sabemos somente sambar e jogar futebol.

É gratificante poder fazer a história de nosso país, poder contribuir para melhorar o nível de conhecimento da população capixaba, ampliando a sua visão, e sua auto estima, valorizando o saber fazer a mão. Desta forma, concordamos com Canclini (2000) quando afirma ser este um momento único do cenário mundial, onde pequenos produtores tem a possibilidade de participarem dos mercados nacional e internacional. Nas pesquisas realizadas sobre as estratégias baseadas na produção artesanal ou de pequenas séries, verificou-se que estas surgem e são estimuladas, inicialmente pelos Estados Nacionais, na América Latina, como uma forma de manutenção e incentivo de renda às comunidades urbanas como alternativas de trabalho