
O design, apesar do que muitos pensadores escreveram, não é somente para a elite da sociedade, pois vem servindo de caminho para a inclusão social.
A massificação dos produtos, gerada e difundida pelos meios de comunicação, influenciadores e mesmo determinadores do gosto do homem atual, tem promovido a homogeneidade nos objetos e ambientes. A insatisfação desta massificação, em alguns setores do mercado, junto aos processos de globalização, fez com que houvesse uma certa procura por objetos feitos artesanalmente, onde se tenta conciliar a criação, identidade individual e regional, diferença estética, acabamento, usabilidade, durabilidade entre outros.
Embora, haja no mercado atual, a procura de tais produtos, existe uma necessidade de aprimoramento do trabalho manual para suprir tanto as necessidades estéticas quanto as de produção, bem como a adequação dos produtos às exigências conceituais deste mercado, que abrangem até mesmo a preocupação com o meio ambiente, e a responsabilidade social. É dentro dessas perspectivas, que tem sido feitas, parcerias entre designers e artesãos.
Nas pesquisas realizadas sobre as estratégias baseadas na produção artesanal ou de pequenas séries, verificou-se que estas surgem e são estimuladas, inicialmente pelos Estados Nacionais, na América Latina, como uma forma de manutenção e incentivo de renda às comunidades urbanas como alternativas de trabalho.
Pesquisando alguns modos de aproximação do design e do artesanato, que vem ocorrendo no Brasil e contribuindo desde 2003 como consultora de design no Espírito Santo, percebemos algumas práticas de interação onde se considera as realidades políticas, e sócio-culturais dos Núcleos de Produção e Comercialização de Artesanato (NPCA’s), propiciando com estas intervenções, a (re) aproximação do design e do artesanato na contemporaneidade.
Ao observar o local da instalação deste espaço de trabalho, e ao conviver com essas pessoas, compreendendo seu universo, seus sentimentos, pode-se compreender seus comportamentos, e perceber de onde vem a desigualdade social.
Este trabalho abre uma possibilidade de transformação da sociedade, pois existe uma troca de informações, saberes e valores. À medida que transformamos a nós mesmos, neste contato, as pessoas com quem compartilhamos os conhecimentos adquiridos na universidade são transformadas, permitindo-nos construir uma nova sociedade.
Evidenciou-se que o papel do design foi estratégico e o designer teve a função de estimular a materialização de objetos mais coerentes com os contextos locais e com as novas necessidades e “desejos” da sociedade contemporânea, através de oficinas, onde foram definidas novas linhas de produtos.
Essas intervenções possibilitaram, o fortalecimento da identidade visual dos produtos, viabilizando a clara identificação da sua origem, impressa nas cores, materiais e iconografia local, adotando-se conceitos diferenciados em função do público consumidor a que os produtos se destinam.
Possibilitaram, um renovar das atividades tradicionais, estimulando os artesãos a desenvolverem suas habilidades ou adquirirem novas, bem como, melhorar a qualidade de acabamento, adequando o produto às exigências atuais dos consumidores.
Mesmo que nossas idéias sejam originais e inovadoras, esses novos produtos só podem ter sucesso se capturarem a alma do artesão. Essa é a diferença básica e essencial entre artesanato e indústria. Nenhum artesão jamais fará algo que não contenha um pouco dele mesmo.
Assim, o design constitui-se numa entrada para a solução econômico-social do Brasil a medida que ao levar informação para o povo, está contribuindo para elevar o nível de conhecimento deste, e conseqüentemente, seu comportamento.
Com as ferramentas que o design nos oferece, pode-se mudar a realidade de 500 anos em que o Brasil só exportou matéria prima.
O design poderá ajudar a mostrar a “cara” do Brasil, com o saber, a criatividade e a identidade do povo brasileiro, afinal não somos todas mulatas, e não sabemos somente sambar e jogar futebol.
É gratificante poder fazer a história de nosso país, poder contribuir para melhorar o nível de conhecimento da população capixaba, ampliando a sua visão, e sua auto estima, valorizando o saber fazer a mão. Desta forma, concordamos com Canclini (2000) quando afirma ser este um momento único do cenário mundial, onde pequenos produtores tem a possibilidade de participarem dos mercados nacional e internacional.
Palavras-chave: design - artesanato - identidade - geração de renda - inclusão social





